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Instituto Espaço Silvestre: conservação, educação e ciência

Preservar a natureza é essencial para a saúde do planeta e de todos os seres que o habitam. Porém, historicamente, temos andado na contramão dessa necessidade e hoje nos encontramos diante de uma situação que é cada vez mais alarmante: mudanças climáticas, desmatamento, extinção de espécies... a lista é bastante extensa!

 

Por outro lado, frente a esses problemas, a importância de preservar nossos recursos naturais tem sido cada vez mais debatida e, atualmente, existem diversas organizações que se preocupam com causas ambientais. O Instituto Espaço Silvestre é uma delas e vem se dedicando à conservação da biodiversidade.

 

Nossa história

 

A trajetória do Instituto Espaço Silvestre começou em 1999, com a fundação do Instituto Carijós Pró-Conservação da Natureza, que apoiava a implementação de unidades de conservação e sua gestão participativa através de atividades de educação ambiental, mobilização social e pesquisa científica.

 

Mais de uma década depois, em 2010, da parceria informal e voluntária de alguns amigos nasceu o Espaço Silvestre, organização que passou a trabalhar em prol da fauna silvestre brasileira.

 

No ano seguinte, essas duas organizações se aliaram para colocar em prática o projeto de reintrodução do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) no Parque Nacional das Araucárias, idealizado pelo Espaço Silvestre. Com o grande sucesso do projeto, em 2013 o Espaço Silvestre tornou-se um núcleo de estudo de fauna dentro do Instituto Carijós, até que, em 2014, este último mudou de nome e o Instituto Espaço Silvestre – na forma como o conhecemos hoje – finalmente nasceu!

 

Quem é o papagaio-de-peito-roxo

 

Antes de explicar o processo de reintrodução, é necessário esclarecer quem é o papagaio-de-peito-roxo, por que sua reintrodução é importante e por que o Parque Nacional das Araucárias foi escolhido como local do projeto.

 

O papagaio-de-peito-roxo é uma ave nativa da Mata Atlântica e que geralmente está associado às florestas de araucárias. No Brasil, sua distribuição se estende do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, mas também é encontrado na Argentina e no Paraguai.

 

Atualmente, esta ave encontra-se ameaçada de extinção, pois o tráfico de animais silvestres, a perda de habitat e a colheita indiscriminada de pinhão fizeram com que suas populações declinassem drasticamente. Com isso, os papagaios-de-peito-roxo se tornaram raros ao longo de sua distribuição e em algumas regiões chegaram a ser localmente extintos – é o caso das matas que hoje abrigam o Parque Nacional das Araucárias, nos municípios de Passos Maia e Ponte Serrada (SC), onde a espécie desapareceu há algumas décadas.

 

Assim como toda espécie, o papagaio-de-peito-roxo desempenha um papel no ambiente em que vive, e sua extinção pode trazer consequências. Eles obtêm seu alimento na floresta – sendo o pinhão um dos seus itens preferidos – e, ao derrubar essas sementes no solo, ajudam a regenerar a floresta de araucárias. Inclusive, há estudos que mostram que os pinhões que são bicados pelos papagaios germinam melhor que os intactos.

 

Dá para entender por que sua reintrodução é tão importante? Além da conservação da espécie, ela permite reestabelecer importantes processos ecológicos que garantem não só a conservação da floresta, mas beneficiam diversas outras espécies que dela dependem, incluindo nós!

 

Reintrodução do papagaio-de-peito-roxo

 

Tudo começa com a chegada de um papagaio à nossa sede, em geral apreendido ou entregue voluntariamente a órgãos ambientais, ou nascidos em zoológicos. Em seguida, é dado início a um longo processo que envolve diversas etapas, incluindo a reabilitação, ambientação, soltura e monitoramento.

 

Geralmente, os papagaios que chegam à nossa sede eram mantidos ilegalmente como animais de estimação. © Vanessa Kanaan.

 

Ao contrário do que muitos pensam, o processo de reintrodução de animais silvestres é muito mais complexo do que simplesmente abrir gaiolas. Para um papagaio que passou a vida em cativeiro, sobreviver na natureza não é uma tarefa fácil: além de possuírem a musculatura pouco desenvolvida para o voo, eles podem não saber como se comportar diante de outros da mesma espécie, buscar alimentos ou se defender de predadores e humanos, por exemplo.

 

Assim, antes de serem soltos, os papagaios precisam ser submetidos a diversos exames clínicos e laboratoriais, para verificar seu estado de saúde, e também análises genéticas, a fim de atestar se há variabilidade genética na população – o que aumenta suas chances de se adaptar em resposta às mudanças ambientais. Além disso, eles passam por um rigoroso processo de reabilitação, que envolve treinamentos comportamentais e de fortalecimento muscular que os preparam para a vida na natureza.

 

Os papagaios que atendem aos critérios para a soltura são identificados por anilhas, rádio-colares e microchips e então levados para o Parque Nacional das Araucárias, onde permanecem por um breve período num viveiro de ambientação alocado dentro da floresta.

 

Após a soltura, a equipe do Instituto Espaço Silvestre monitora os papagaios através de observações, escuta de vocalizações, utilização de drone e rádio-telemetria. Os moradores das comunidades também são treinados para auxiliar no monitoramento através de ciência-cidadã.

 

Os resultados do monitoramento indicam que o papagaios-de-peito-roxo, vítimas do tráfico de animais silvestres, são capazes de sobreviver e se reproduzir com sucesso na natureza após a reabilitação!

 

 Papagaio-de-peito-roxo solto pelo projeto se alimentando de pinhão na natureza. © Vanessa Kanaan

 

Comunidade como aliada

 

De nada adianta devolver os papagaios à natureza se a comunidade do entorno do parque não estiver comprometida com a causa. Por isso, para garantir proteção aos papagaios e o sucesso do projeto, o Instituto Espaço Silvestre realiza ações de educação ambiental e popularização da ciência, que engajam a comunidade na conservação da espécie e seu habitat. Tais ações incluem visitas às propriedades, realização de palestras, distribuição de panfletos, materiais educativos, etc.

 

Para garantir o sucesso do projeto, a comunidade do entorno do parque é conscientizada da importância da conservação da espécie e seu habitat através de atividades de educação ambiental. © Vanessa Kanaan

 

E estas iniciativas estão dando muito certo! A espécie ficou tão popular na região que virou uma espécie de símbolo. Hoje, além de estampar selos postais, ambulâncias, ônibus e vans escolares nos municípios de Passos Maia e Ponte Serrada, o papagaio-de-peito-roxo foi eleito pela própria comunidade para representar a fauna no logotipo do Parque Nacional das Araucárias! 

 

O instituto desenvolve também, desde 2013, o projeto de geração de trabalho e renda, que mostra para a comunidade que o papagaio-de-peito-roxo livre também tem valor econômico. Graças ao projeto, mulheres das comunidades encontram na produção de peças artesanais com temas ambientais oportunidades de trabalho e de aumento na renda. Até o momento, dois grupos de mulheres já foram criados e já tiveram sua renda aumentada em 62%.

 

 Amigas dos Roxinhos, grupo de mulheres de Passos Maia que teve sua renda aumentada graças à produção de peças artesanais com temas ambientais. © Vanessa Kanaan

 

Rede de proteção

 

Outra iniciativa que vem dando muito certo é a Rede de Proteção, uma parceria envolvendo o Instituto, autoridades locais e órgãos ambientais que melhorou efetivamente a comunicação entre os membros da rede, resultando no aumento da fiscalização e nos esforços de resgate a aves silvestres no Parque.

 

Para além do papagaio-de-peito-roxo

 

E não para por aí: o projeto também contribui para a ciência! A grande quantidade de dados coletados gera conhecimento não apenas sobre os papagaios, mas também sobre programas de reintrodução de animais silvestres na natureza. Estes resultados são publicados em periódicos científicos reconhecidos mundialmente.

 

Aliás, as técnicas de reintrodução desenvolvidas no projeto vêm sendo aplicadas em programas de conservação de outras espécies de aves, como a arara-azul-de-lear, ameaçada de extinção, e a ararinha-azul, já extinta na natureza.

 

De volta para floresta

 

O vídeo abaixo resume em três minutos tudo o que contamos acima sobre o projeto de reintrodução do papagaio-de-peito-roxo! Confira e siga nosso canal no YouTube!

 

Como posso ajudar?

 

Ficou com vontade de ajudar o papagaio-de-peito-roxo? Existem muitas formas de abraçar essa causa!

 

Confira abaixo!

 

- Patrocine o projeto

 

Patrocinando o projeto, você e sua empresa podem fazer a diferença no meio ambiente, sociedade e economia. Além de ajudar na conservação do papagaio-de-peito-roxo e mudar a realidade social, cultural e econômica da comunidade que vive no entorno do Parque Nacional das Araucárias, você ainda pode melhorar a imagem da sua empresa do marketing ecológico.

 

A realização deste projeto só é possível graças à dedicação de centenas de voluntários e apoio que recebemos de diversas instituições e empresas parceiras como: ZGAP, Politrade, Parrot Wildlife Foundation, Biofaces, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Holohil Grant Program, Idea Wild, Celulose Irani, Sicoob, Adami SA. The Parrot Society UK, Taroii Investiment Group, Tractebel Energia, CAPES e Universidade Federal de Santa Catarina.

 

- Faça uma doação financeira

 

Doações financeiras são muito importantes para a continuidade do projeto! Você pode doar qualquer valor para o projeto clicando aqui!

 

- Doe material e equipamentos

 

Aceitamos doações de binóculos, máquinas fotográficas, lentes em bom estado, matéria-prima para a produção de produtos artesanais e diversos equipamentos que podem nos ajudar a monitorar os papagaios! Clique aqui para saber como!

 

- Compre os produtos dos roxinhos

 

Comprando os produtos da nossa loja ou dos nossos parceiros, além de obter produtos exclusivos, você também ajuda os papagaios, já que parte da renda é destinada para o nosso projeto!

 

- Instale o raio polinizador no seu navegador e vá às compras

 

O Polen é uma forma de doar parte do valor de suas compras para instituições da sua preferência, sem gastar nada a mais por isso! Você instala a extensão e as empresas parceiras repassam uma porcentagem da sua compra para o Polen, que encaminha o dinheiro para nossa instituição. Saiba mais clicando aqui!

 

- Seja um voluntário

 

Se você tem interesse de doar seu tempo livre e trabalho a essa causa, você pode fazer parte do nosso programa de voluntariado. Nele você participará de atividades que incluem preparo de alimentos, observação de animais, limpeza e desinfecção de gaiolas e viveiros, e muito mais. Clique aqui para se candidatar!

 

- Entregue um papagaio

 

Encontrou algum animal silvestre mantido ilegalmente ou precisando de ajuda? Comunique ao órgão responsável mais próximo da sua região! Você mesmo pode fazer a entrega voluntária sem responsabilidade penal!

 

- Ajude a divulgar nosso projeto

 

Mesmo que você não possa ajudar financeiramente, divulgando o projeto você nos ajuda a fazer os papagaios voarem cada vez mais longe!

 

E aí, vamos ajudar? :)

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