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Ameaçadas de extinção, araras-azuis-de-lear são soltas no interior da Bahia.

A arara-azul-de-lear, uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo e que ocorre apenas em uma pequena área da Caatinga baiana, único bioma exclusivamente brasileiro, agora faz parte de um projeto inédito de resgate da memória ecológica da espécie no Boqueirão da Onça, maior área contínua de Caatinga preservada remanescente no território brasileiro.

 

Em um grande esforço coletivo, o Grupo de Pesquisa e Conservação da arara-azul-de-lear desenvolveu um projeto de conservação integrada que busca monitorar a população de araras do Boqueirão da Onça e, por meio da soltura de indivíduos nascidos em cativeiro, assegurar a sobrevivência da espécie na localidade – resgatando, assim, essa área de vida histórica.

 

 

A ação é um marco na conservação das araras-azuis-de-lear, especialmente porque na região existem apenas duas araras sobreviventes de uma população que foi drasticamente dizimada na década de 90 devido ao tráfico ilegal de aves, e que possuem toda a memória da espécie na localidade sobre as áreas de alimentação, descanso e locais para ninho.

 

Por mais de 20 anos, as duas últimas araras permaneceram sozinhas na região. Foto: Ângelo Brasileiro.

 

Recentemente, seis araras-azuis-de-lear nascidas e criadas na Loro Parque Fundación, em Tenerife, Espanha, foram doadas a esse projeto. Ao chegarem ao Brasil, as aves foram abrigadas em um grande viveiro construído na recém-criada Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) Boqueirão da Onça, localizada na Área de Proteção Ambiental do Boqueirão da Onça e nos arredores do Parque Nacional do Boqueirão da Onça, Bahia – unidades de conservação criadas em 2018 para proteger a riquíssima e ameaçada biodiversidade da Caatinga. 

 

Um grande viveiro de adaptação pré-soltura foi construído na ASAS Boqueirão da Onça, recentemente criada para receber novas araras. Foto: Erica Pacífico.

 

 

Lá, as araras permaneceram por alguns meses em um processo de preparação para a soltura: adaptação ao clima do sertão baiano, aprendizagem dos principais alimentos, reconhecimento de potenciais predadores e fortalecimento da musculatura de voo. Antes de serem reintegradas ao seu habitat original, todas as aves receberam marcações individuais e equipamento de rastreamento via GPS, que tornarão possível o acompanhamento de sua nova jornada como desbravadoras do sertão – auxiliando os biólogos na difícil missão de localizar as áreas de alimentação, possíveis dormitórios e áreas de reprodução da espécie no Boqueirão da Onça.

 

 

Com seus pés habilidosos, bico potente e língua forte, as araras rapidamente aprenderam a manipular e quebrar o coquinho do licuri. Foto: João Marcos Rosa.

 

A soltura é um processo que exige cautela, podendo se estender por alguns meses: a janela do viveiro é aberta para que as araras tenham contato com o ambiente externo, ficando a seu critério o desejo de sair – de modo que o fazem gradativamente. Foto: João Marcos Rosa.

 

Video: Fernanda Riera.

 

Uma vez soltas após longo período de adaptação, espera-se agora que este novo grupo acompanhe suas conterrâneas de vida livre, e que as araras espanholas possam aprender, com suas professoras baianas, a desbravar as florestas da Caatinga!

 

Ao final do processo de soltura, as seis araras ganham os céus do Boqueirão da Onça. Foto: Erica Pacífico.

 

 

De posse de binóculo e antena de longo alcance, os biólogos realizam diariamente o rastreamento das araras após a soltura, o que tornará possível a localização e identificação de suas áreas de descanso e de alimentação. Foto: João Marcos Rosa.

 

Araras monitoradas alimentando-se do coquinho do licuri, um mês após a soltura. Foto: Fernanda Riera.


A soltura das araras para monitoramento da população do Boqueirão da Onça é uma ação prevista no Plano de Ação Nacional para a Conservação da espécie. Nossos agradecimentos à Loro Parque Fundación, pioneira na reprodução em cativeiro das araras-azuis-de-lear, pela destinação, a este projeto de soltura, das seis primeiras aves participantes; à Enel Green Power Brazil, pelo financiamento integral deste projeto em cumprimento à legislação de compensação ambiental em face da implantação do Parque Eólico Delfina; e a todos da comunidade do Cercadinho, Campo Formoso/Bahia.
 

Agradecemos também o apoio e parceria de Cristina Dénes Arquitetura, pela criação do projeto de construção do viveiro de adaptação das araras na Área de Soltura de Animais Silvestres Boqueirão da Onça; e a colaboração de Antonio Carlos Canto Porto Filho e Francisco de Antonio Oliveira, da Fazenda São Francisco, pela doação de materiais. Contamos também com o suporte técnico e científico de instituições parceiras nacionais e internacionais: Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres, Criadouro Científico para fins de conservação Fazenda Cachoeira, Estación Biológica de Doñana, Instituto Arara Azul, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Instituto Espaço Silvestre, Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, Max Planck Institute of Ornithology, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e Nitro Imagens.

 

E também nosso muitíssimo obrigado a todos que nos inspiram diariamente, e que se dedicam, direta ou indiretamente, ao desenvolvimento desse projeto. Um
trabalho colaborativo é a chave para o desenvolvimento e implantação de estratégias de conservação. Juntos voaremos mais longe!

 

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