Reintrodução do papagaio-de-peito-roxo

(Amazona vinacea)

VOANDO CADA VEZ MAIS ALTO

Situado entre os municípios de Passos Maia e Ponte Serrada, o Parque Nacional das Araucárias é uma das últimas áreas preservadas de vegetação de Floresta de Araucária. Ainda que abrigue diversas espécies de animais, o processo de desmatamento somado ao intenso tráfico de animais na região, levou os papagaios-de-peito-roxo (Amazona vinacea) à extinção local por volta da década de1980.

Pensando nesse problema, iniciou-se em 2010 o Projeto de Reintrodução do papagaio-de-peito-roxo, que reabilita animais advindos do tráfico, resgate e entrega voluntária e realiza sua soltura na região. Após a primeira soltura, de 13 indivíduos em 2011, a equipe do Instituto Espaço Silvestre iniciou também o trabalho de monitoramento pós-soltura, através de observações diretas e rádio-telemetria.

Apesar do sucesso técnico-científico do projeto, ainda era necessário voar mais longe, pois relatos de caça e tráfico de animais eram comuns na região. Através de articulações com órgãos governamentais e a iniciativa privada, dezenas de atividades de educação ambiental são realizados até hoje nas comunidades. Simultaneamente, treinamos inúmeros moradores locais para participarem do projeto através da ciência cidadã, integrando a conservação ambiental e a realidade local. 

Até o momento, 222 papagaios passaram pelo rigoroso processo de reabilitação e conquistaram a liberdade. Foram 13 em Janeiro de 2011, 30 em Setembro de 2012, 33 em Junho de 2015, 7 em março de 2016, 30 em junho de 2017, 40 em outubro de 2018, 33 em março de 2019 e 36 em agosto de 2021.

NOSSOS OBJETIVOS

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(1) Reintroduzir o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) no Parque Nacional  das Araucárias, SC, dando suporte necessário para o estabelecimento de uma população viável à longo prazo;

 

(2) Educar as pessoas sobre o papagaio-de-peito-roxo e seu habitat;

 

(3) Gerar oportunidades e  promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável para as comunidades que vivem no entorno no Parque Nacional das Araucárias, SC;

 

(4) Gerar conhecimento científico sobre o papagaio-de-peito-roxo e programas de reintrodução de animais silvestres na natureza.

Missão e objetivos:

NOSSOS ROXINHOS

Com o peito roxo e uma mancha vermelha na cabeça, os papagaios-de-peito-roxo (Amazona vinacea) são símbolos da Floresta de Araucária, vegetação do Bioma da Mata Atlântica e muito associada com a distribuição dessa espécie. Classificados como "Em Perigo" pela IUCN, sua reprodução ocorre entre agosto e outubro, logo após o final da temporada de temperaturas próximas de 0ºC e do pinhão, semente da araucária e alimento para muitas espécies no inverno.

Ainda que seja uma espécie muito conhecida, especialmente por traficantes de animais, sua biologia ainda era pouco estudada até o inicio dos trabalhos do Instituto Espaço Silvestre. Apelidados carinhosamente de roxinhos, eles chegam para os nossos cuidados de diversas maneiras, como por exemplo, através de apreensões do tráfico e entrega voluntária por. Por isso, antes de iniciar todos os treinamentos para a soltura, é necessário uma rígida bateria de exames clínicos, adaptação para uma alimentação natural e a confirmação da possibilidade de voo dos animais.

Os papagaios que obtém resultados satisfatórios nesses critérios, são encaminhados para um rigoroso treinamento comportamental que tem como objetivos principais a identificação — e fuga —  de predadores e que eles consigam distinguir ambientes de alimentação e dormitório, uma característica comum desses animais na natureza. Para isso, nossa equipe sempre está estudando e produzindo novos trabalhos científicos sobre o tema, diversificando as abordagens e possibilidades.

Concluído com êxito todas as etapas de reabilitação, os animais estão prontos para soltura e são identificados por rádios-colares, microchips e anilhas cedidas pelo Centro Nacional de Pesquisa para Conservação de Aves Silvestres. Eles, finalmente, são trasportados para um viveiro de adaptação dentro do Parque Nacional das Araucárias e permanecem por um período de ambientação no local, sendo aberto todos os dias o viveiro de dia e fechados de noite, até que nenhum permanece mais no local e se sinta seguro para a vida em natureza.

SEJA PARTE DA NOSSA CAUSA

NOSSAS ATIVIDADES

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Estudos genéticos dos roxinhos

  

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Educando pela proteção da natureza

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Seja voluntário pelo projeto

Nosso trabalho depende muito de pessoas engajadas na causa dos roxinhos. Clique abaixo para saber como você poderá ajudar e também todos os pré-requisitos para se voluntariar para o projeto

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As amigas dos roxinhos e a geração de renda

Iniciado em 2017, o projeto de geração de trabalho e renda para a comunidade local estimula o desenvolvimento econômico, inclusão social e conservação de espécies ameaçadas, como o papagaio-de-peito-roxo.


 

 

Estudar a genética das populações é importante para a conservação das espécies e do ambiente em que vivem. Isso porque a natureza está em constante mudança e, para se adaptar à essas modificações, uma espécie e/ou uma população precisa ter variabilidade genética (os indivíduos precisam ser diferentes geneticamente).

Educar e informar as pessoas é parte fundamental na proteção dos roxinhos. Como parte do projeto de reintrodução, ações de educação ambiental vêm gerando ótimos resultados sobre a forma como as pessoas olham para a natureza.

 

Estudos genéticos dos roxinhos

Estudar a genética das populações é importante para a conservação das espécies e do ambiente em que vivem. Isso porque a natureza está em constante mudança e, para se adaptar à essas modificações, uma espécie e/ou uma população precisa ter variabilidade genética (os indivíduos precisam ser diferentes geneticamente).

Mas para garantir essa variabilidade genética é necessário inicialmente conhecê-la. Além disso, será possível, através da genética, auxiliar programas de reprodução em cativeiro, com a escolha do melhor par genético, ou seja, aqueles indivíduos que apresentam menor chance de parentesco. As análises iniciaram com o grupo da Universidade Estadual Paulista (UNESP), sob coordenação da Bióloga Drª Flavia Torres Presti e agora estão sendo realizadas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) pela equipe do grupo de pesquisa em Evolução Molecular e Forense coordenado pela Profª Drª Andrea Rita Marrero.

Realizamos inicialmente análises genéticas de 60 papagaios soltos no Parque Nacional das Araucárias e, até o momento, um filhote nascido na natureza. Além disso, para comparar a variabilidade genética, analisamos 60 indivíduos provenientes de cativeiro. Os resultados mostram uma diversidade genética semelhante quando comparada à de outras espécies de papagaios, alguns ameaçados e outros não ameaçados de extinção. Quando comparada a diversidade genética dos indivíduos soltos com os cativos, não existe diferença significativa, bem como a presença de agrupamentos genéticos. Os dados mostram que possivelmente os indivíduos soltos no Parque estão representando a diversidade existente na espécie. Esse resultado é promissor

para a conservação a médio e longo prazo, pois é importante que a população tenha variabilidade genética para sobreviver frente à mudanças ambientais. Com o estudo genético também será possível monitorar e aconselhar indivíduos para futuras solturas a fim de aumentar a diversidade genética da população natural, assim como recomendar casais importantes para reprodução em cativeiro, caso seja adotada essa estratégia de conservação. Novas análises buscam avaliar um maior número de indivíduos e outras regiões do DNA dos papagaios, permitindo o gerenciamento genético da população do Parque Nacional das Araucárias.

 

 

Educando pela proteção da natureza

Além de visitas às propriedades, palestras são ministradas em escolas e empresas em todas as comunidades de Passos Maia e Ponte Serrada. A campanha de proteção ao papagaio-de-peito-roxo é mantida com a distribuição de material educativo, histórias em quadrinho, adesivos, imãs de geladeira, calendários anuais e mensagens diárias na Nossa Rádio. Também capacitamos e distribuímos Guias de Atividades Educativas para professores. Esses materiais estão disponíveis aqui em formato digital e podem ser usados livremente. A espécie se tornou tão popular localmente que foi escolhida pela comunidade para representar a fauna na logomarca do Parque, e está estampada em selos postais, atrás de ambulâncias, ônibus e vans escolares dos municípios de Passos Maia e Ponte Serrada. Há uma exposição de arte na Prefeitura de Ponte Serrada e uma fotográfica na Prefeitura de Passos Maia, além da exposição fotográfica itinerante que visita diversas cidades do país.

Foram realizadas oficinas em parcerias com escolas de Ponte Serrada e Passos Maia para a construção de mídias de divulgação científica com as crianças da região.  Dez histórias foram escritas, narradas pelas crianças e transmitidas na Nossa Radio diariamente durante dois meses. Produziu-se também um curta metragem ("Conversa Conserva") que conta um pouco mais dessas ações junto às escolas da região. O filme fez parte de um festival de cinema para crianças que foi realizado em quatro escolas dos dois municípios. Esses materiais podem ser encontrados em nosso canal do YouTube.

 

Os roxinhos já alcançaram mais de 2 milhões de pessoas no mundo!

 

As amigas dos roxinhos e a geração de renda

O projeto de geração de trabalho e renda para a comunidade local estimula o desenvolvimento econômico, inclusão social e conservação de espécies ameaçadas, como o papagaio-de-peito-roxo.  Iniciado em 2013, esse projeto visa  agregar valor econômico à presença dos papagaios em vida livre, através da criação de peças artesanais com temas ambientais, gerando assim uma oportunidade de trabalho e renda extra para as mulheres que vivem no entorno no Parque Nacional das Araucárias, SC. 

 

O grupo do município de  Passos Maia, conhecido como "Amigas dos Roxinhos", produz camisetas, aventais, bolsas, lixinhos para carro e peças variadas. Os produtos já estão disponíveis e todo o valor é revertido para as artesãs e associações locais. Suas rendas já aumentaram 62%. 

Entre em contato para conferir essas lindezas!